sábado, 9 de junho de 2012
Green Mile
Lembra uma ponte em Praga.
Tive dúvidas
Entre uma tatuagem ou um telefonema,
E se fosse possível
Pedir retalhos e vinho
Como última refeição no corredor da morte.
Calculei afetos
A 6 graus negativos
E desocupei ruídos de verões
Que eu lembro pra esquecer.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Voando alto...
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Feliz dia do Poeta!
Santos ateus tatuados
Em anúncios de hemisférios simbólicos
Parecem alvos espessos
Ou uma faixa bônus
De um solo de guitarra
Facilidades plásticas
Em um táxi desgovernado
A iminência do vazio
A burocracia dos gêneros
Nada mais do que
Bagagens inaceitáveis.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Caderno de Autorias SESC
Já foi marcado para o dia 8 de outubro, sábado, o lançamento dos cadernos de autoria "Outubro" - do Curso de Formação de Escritores de 2009, com Manoel Ricardo de Lima - e "Tabuleiro" - de 2010, com Carlos Henrique Schoeder. O lançamento será na Livraria Fátima, durante a feira do livro de Criciúma. O horário ainda não foi confirmado, mas assim que soubermos, publicaremos aqui.
Marquem na agenda e não deixem de participar! Vamos aproveitar para nos rever e confraternizar!
domingo, 15 de maio de 2011
Balcão de carvalho
Para preencher de fumaça
Teu adeus vazio.
Uma dose de realidade, por favor,
E um antídoto milagroso
Para a ressaca moral.
Não que eu me importe com teu adeus,
Ou acredite em realidades,
Eu só queria esquecer
Todo conhecimento científico
Que entupiu
As artérias deste copo.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Feliz dia da Poesia, colegas escritores!
No man is an island entire of itself; every man
is a piece of the continent, a part of the main;
if a clod be washed away by the sea, Europe
is the less, as well as if a promontory were, as
well as a manor of thy friends or of thine
own were; any man's death diminishes me,
because I am involved in mankind.
And therefore never send to know for whom
the bell tolls; it tolls for thee.
John Donne
segunda-feira, 28 de março de 2011
sábado, 26 de março de 2011
Demônios de gelo
Neve e silêncio.
Hastearam uma bandeira negra
no meio de tudo
ou do nada.
Juro que não fui eu,
mas me fez pensar.
Engraçado como a nostalgia
pode vir de qualquer coisa.
Os Alpes que estão
a milhares de quilômetros
do meu lar
me são familiares,
de certa forma.
Enquanto eu tirito de frio
a bandeira negra tremula.
O inferno é branco.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Organismo depressivo
Fernando L.S. Martins
Tem isso em mim
Inseto percorrido
Distância em veias
Medidas dos órgãos
Dados em corrente
Células terminais
Ossos e cartilagens
E o vazio berrante
A dor que agonia
A idéia sem expressão
Então na janela
A mais próxima do corpo
Ao alcance do braço
Abro, abraço o ar
Grito a meio mudo
Por meio século
Que meu corpo morre
Que minha vida sofre
Meu cérebro chora
Peito sufoca
E nada de ninguém
Todos cortinam os sorrisos
Os olhos em lágrimas
Lembranças sem data
Documentos em cuecas
E nada de ninguém
Em mim sobra
Em tudo, a pergunta
Alem de mim...
Quem?
sábado, 22 de janeiro de 2011
Transatlântico
em fotografias alheias.
Provérbios turcos
em pequenos frascos.
A vida é um souvenir.
Olhando do píer,
o mar nos culpa
e ingerimos sua vingança
à francesa.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Lua
O tamanho exato que tem a lua
Eu medi nos olhos apagados
Que o mendigo mais cansado abriu
Só para ver o céu ir embora
Sei que mede mais que uma pupila
E hora ou outra trepida e alaga
Enche duma lágrima salgada
Que eu imagino por fome
E a lua se mantém exata
Inabalada, sustentada no negrume
Num pretume ensurdecedor
Que não diz nenhuma palavra
Ai dá uma ou duas respiradas
Coisa profunda, que enche o peito
Bonito como cinema
Parecia coisa gravada, até bati palmas
E morreu, obviamente fechando a lua
Escondendo entre pálpebras a noite mais linda
O céu menos estrelado, porém mais luado
E me sobrou um corpo estendido, reapagado
Ps.: Um convite pra todos vcs... http://abreparenteses.blogspot.com/ ... e boas festas povo!
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Margarida e Oliveira
O sol escondia-se na Pedra do Cachorro e a Voz do Brasil saía do radinho na janela aberta.
Oliveira xingava políticos, reclamava do salário mínimo e comentava o resultado da última safra de arroz. Ele falava, falava... Mudava de posição na cadeira de palha. Ela não respondia. Nem balançava a cabeça, nem resmungava um simples “aham” entre suas esperançosas pausas. Talvez os assuntos não a interessassem, talvez o próprio Oliveira não a interessasse.
Se fosse outra pessoa, ficaria com muita raiva, mas ele não, Oliveira era paciente e vivido. Além disso, não se incomodava com pouca coisa. E mesmo aquele monólogo o entretinha.
Oliveira aos seus oitenta e poucos anos, sentado na varanda do asilo, conversava com uma planta, como quem conversa com gente. E a margarida olhava-o com uma expressão de tristeza, já sem uma pétala, parecia não entender o que aquele homem de meias compridas tanto falava.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Jogo de cintura
- Vamos, dê o primeiro passo amor!
- Por quê eu?
- Porque você é o homem, horas.
- Como assim?
- Você vai ficar parado aqui por muito tempo?
- Não é você que vive falando em direitos iguais? Este papo todo de feminismo, que as mulheres estão modernas, conquistando seu espaço no mercado de trabalho e na socie...
- Amor, dá um tempo né! Agora não é hora pra isso.
- Então, as damas primeiro…
A música já estava tocando há alguns minutos, impaciente e envergonhada ela resmungou um “tá bom” e começou a dança. Entre os passos e rodopios do casal, o homem alto exibia um sorriso camuflado no canto da boca.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Big Bang
domingo, 22 de agosto de 2010
Kinderdijk
Eu poderia escrever um livro sobre gavetas.
Observo esses garotos,
Esses feitos de areia.
Me espanto e me rio
Da areia, do vazio
Das gavetas
Dessas páginas
Qual infinitos inoportunos
Nas velhas sombras sinestésicas
De moinhos de éter.
A personificação do despropósito.
sábado, 7 de agosto de 2010
Juízo inicial
O juiz quem fez a pergunta desta vez:
- E você não ouviu as palavras de Deus?
-Eu não raciocinei na hora, a serpente me convenceu. Uma tentação é uma tentação, fez uma pausa encarando a expressão mármore do júri. Aliás, era só uma maçãzinha.
O julgamento prosseguiu, a moça agora coberta saiu da sala. Em seguida a serpente entrou no tribunal rastejando rapidamente até o banco dos réus. Ela aguardava sua vez com ares de quem esconde uma carta final nas escamas.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Sobre a escrita e os pensares
uma escrita desvairada
dança insana de palavras
rebanho literário.
Escrevo porquê penso demais
ou de menos...
na inconsequência das idéias
na cadência dos fonemas.
Não penso no que escrevo...
uma avalanche de letras ansiosas
esbarram-se em uma obra
que soa psicografada.
Às vezes penso que escrevo,
e uma traição manual
delata a ignorância
disfarçada de intelecto.
Matemática inexata
da nossa história (inglória)
te apresento agora:
de lucro , uns cem contos
dos erros, um des-conto.



